quarta-feira, junho 12, 2013

*AOS NAMORADOS


 *Aos Namorados

* Quando
  
Quando sinto a dor e a saudade,
Meu olhar flutua nas estrelas,
Nelas meu olhar em acuidade,
Gravita sonhar que se constela.

O verso vem silencioso e mudo,
Rondando o coração em aquarela,
Que finge colorido num segundo
A alma toda prosa se congela.

E fita no horizonte amor imenso,
Apenas nos meus versos rudes,
Tão rudes que o coração inverso,
Declara todo amor em amiúde.

Corre na caneta toda inspiração
Para neste dia florido dos amantes
Descreva com fervor e devoção
O doze junino em sons vibrantes.

Mas quando outro olhar fareja ali
Na distância ilógica em virtual,
O pulsar calado grita bem aqui,
No mundo há amor vivo por igual.

Mesmo que nos versos haja encanto,
A tela borre com pincel desconstrução,
Pincelo a realidade com espanto,
Do amor que ainda existe em combustão.
  

Feliz dia dos namorados

Sonia Nogueira

sábado, maio 04, 2013

*MÂE



*Mãe

Quando o olhar deita noutra mãe,
E vejo a singeleza que me encanta,
Sinto, o Céu deveria por enquanto,
Não roubar do filho a supermãe:

Vejo em cada gesto amor e zelo,
Nas noites acordadas sobre o leito,
O filho que febril quer seu deleito,
E mãos acariciando com desvelo.

Nas horas que o frio o corpo treme,
O colo, o leito quente é seu abrigo,
Os que não têm é sina ou castigo?
Nas tramas vejo o barco sem o leme.

Chora o coração com tais lembranças,
Das noites em que o frio fez tortura,
Mas lembro quem sabe nas alturas.
Há um olhar de mãe tendo ternura.

E rezo por aqueles que em mim unem
Seu pesar e o consolo dos que vivem,
A certeza de mães que inda convivem,
Amando e sendo amada, que cativem,

Esta mulher mãe, doce, pura e terna,
Igual a mãe das mães que sofre e reza
Doando aos filhos amor sem a reserva.
Saúdo a todas por grande missão na terra.

Sonia Nogueira

quarta-feira, maio 01, 2013

*DIA DO TRABALHADOR


 *Dia do Trabalho
1º de maio

É assim que o homem vive
Do trabalho, do suor,
E o mundo vai girando,
Plantando, colhendo amor.

O homem cava a terra
Para o plantio crescer,
O outro colhe o roçado,
Alimento do viver.

A doméstica apressada,
Deixa o filho no colégio,
Segue na caminhada
Trabalhar é privilégio.

A professora na sala,
Deixa o sorriso amigo,
Bombeiro apaga o fogo,
Soldado prende inimigo.

No circo, de cara pintada,
Sorrir o palhaço engraçado,
Jardineiro colhe a flor.
Entrega na hora marcada.

O grito ecoa na sala,
Uma vida traz o médico,
Enfermeira dedicada,
Lixeiro limpa o fétido.

Voa lá o astronauta,
Procurando outro espaço,
Motorista aqui na terra,
Conduz o pobre, o ricaço...

Um necessita do outro
Para o ciclo completar,
E terá todo trabalho,
Valor em qualquer lugar.

Trabalho é força do homem.
Ao trabalhador que é herói,
Mesmo enfrentando batalhas,
No mundo que ele constrói.

 Sonia Nogueira

sábado, abril 13, 2013

*FORTALEZA, 287 ANOS



*Fortaleza 287 Anos
13 de abril

Fortaleza te canto nos meus versos,
Tuas origens é banho que aquece,
Nascida num Riacho o lindo Pageú,
De origem tupi, rio curandeiro é prece.

Outros nomes inda te ocuparam,
Rio Mrajayk, Ypojuca, rio da Telha,
Hoje Pajeú oculto em subterrâneos
Com foz na Praia Formosa, teu esteio.

Atrás do mercado Central, teu rosto
Aparece num bosque exposto e vasto,
Herança que a cidade tem exposto
Para não apagar teu semblante gasto.

Terra do sol queimando a pele,
Bronze natural da Índia Iracema,
Na orla das praias, no balanço da rede,
Teu nome é forte, Fortaleza é tema.

287 anos de lutas, glórias e progressos,
Teus filhos carregam teu estandarte,
As mazelas? Há! Hoje é só festa!
Caminhemos, engrandecendo as artes.

Em cada olhar uma tela viva, rara
Onde o pincel e mão repousam
Em tuas belezas mostras tua cara
Fortaleza, praias e artes te louvam.

Fortaleza bela, de mares turbulentos,
De dunas moldadas à mão natureza,
Encantos te rondam em teu portento,
Abramos os braços à mãe nobreza.

Sonia Nogueira

quinta-feira, março 28, 2013

* DE BRAÇOS ABERTOS



*De braços Abertos

É sina de quem recebe a cruz,
Foi assim Jesus em seu calvário,
Dando a vida recebendo a luz,
Em companhia, ladrões e cenário.

Ao crédulo, promessa e perdão,
Ao outro sem fé, não teve o olhar
Do Cristo, sangrando o coração,
Aos pés, a dor mãe a meditar.

No corpo bordado de vermelho,
De espinhos a coroa sobre a face,
Suspiro último recita o evangelho,
Perdoai-lhes meu pai por este enlace,

Não sabem o que fazem coitados!
O céu escureceu fez-se em bramido,
Angústia se formou nos arredores,
Fugiram sem retorno, em alarido.

E veio a páscoa, Jesus ressuscitou,
Quarenta dias revive a igreja,
É hora de rezar assim eu vou,
Pedir pelos irmãos e nos proteja,

Do mal, do ódio, da incredulidade,
Dos vícios que destrói, do desamor,
Que seja o coração fonte e verdade,
A igreja o templo da paz do Senhor.

Feliz Páscoa a todos os leitores

Sonia Nogueira

segunda-feira, março 25, 2013

*LIBERTAÇÃO, ESCRAVO DO CEARÁ



 *Libertação, Escravos no Ceará

A cana de açúcar verdinha veio
Cultivar terras férteis do Ceará,
Na mão de obra o bravo escravo
Cavar a terra, plantar no além mar.

Era tanta miséria nas senzalas,
dignidade da mulher era exposta,
servi ao comando rijo do coronel,
chicote e corrente era a proposta.

A Sociedade Redentora Acarapense,
em prol do irmão negro reagiu,
Liberato Barroso, Antônio Tibúrcio,
Justiniano de Serpa então surgiu,

João Cordeiro, José do Patrocínio,
Chegaram ao lugar sem tom hostil,
Ao assistir a liberdade dos escravos,
Nasceu Redenção, pioneira do Brasil.
(1883)

O grito ouviu-se antes nas jangadas,
Francisco José do Nascimento falou:
No porto do Ceará não mais escravos
No Ceará o grito jangadeiro ecoou.
(1881)

Foi no Ceará o feito da história,
Mil novecentos e oitenta e quatro,
Cento e oitenta anos na memória.
A princesa Isabel ganhou vitória.

Hoje em Fortaleza-CE, 25 de março,
é feriado local.

Sonia Nogueira




sexta-feira, março 22, 2013

*DIA MUNDIAL DA ÁGUA



*Dia Mundial da Água

Água que meu corpo lava,
Mata nossa sede que é vida,
Banha a terra ressequida,
Seca a roupa, traz a lavra.

Água é sangue branco, puro,
Lava as veias, nutre a pele,
Quando bate na telha, juro
Que é choro de saudade.

Nos olhos molha a dor, dói,
Dentro do abismo interior,
Qual rio poluído e destrói,
Cada partícula em redentor.

E com furor aos desmandos,
Traga na areia seu lamento,
Pontos boiam com espantos,
Ó mar em fúria, ó desalento!

Quando esta fonte divina
Transformar-se em impureza,
H20 natural que se defina,
Outro criador, com certeza,

Na terra não haverá igual.
Água potável, inodora,
Seja prioridade existencial,
Ó água da fonte criadora.

Sonia Nogueira