quarta-feira, maio 27, 2009

*NÃO MORRO DE AMORES*


*Não Morro de Amores*

Pelas trevas que apagam a luz
Pela palavra que desvirtua o ser
Pelos que fortificam a árdua cruz
Pela permuta do ser pelo ter

Pela ambição sem a medida certa
Que atropela outra caminhada
Na túnica que disfarça a coberta
No falso sorriso de mão atada

No amor que sonega um abraço
Dos amigos que nunca ficaram
Da ausência que finge cansaço
Da armadilha dos que partiram

Não morro de amores pela inveja
Que entorna o copo na bandeja
Sonia Nogueira *sogueira*

sábado, maio 16, 2009

*AMAI PARA ENTENDÊ-LAS*


*Amai para Entendê-las*

Abro a janela numa noite rendada
O olhar extasiado voa as alturas
Indaga numa angústia abnegada
Ouves-me oh astro em formosuras

Nesta galáxia de imensa constelação
E milhares de seres da terra meta
Em qual vácuo está o outro coração
De bondade tanta que me completa

Como estrela cadente que cintilas
Leva-me como os reis Magos luz
À morada do amor na tela em trilha

Sem as amarguras os desenganos
Da futilidade que em forma de cruz
Faz do amor a fraqueza dos profanos
***
Sonia Nogueira *sogueira*

*RITMO E SEDUÇÃO*


*Ritmo e Sedução*

Ao som da melodia me dou inteira
Nos braços os laços que entrelaçam
Soa a música como som cordilheira
Numa frenética sonoridade esvoaçam

Sob o luar numa altitude serrana
Onde casais em extasiado canto
Flutuavam ao som do sanfoneiro
Uma valsa de melodia e pranto

Nada ofuscava os pares dispersos
Embalados na emoção do requinte
Como se o mundo fosse universo

Somente daquela noite e momento
Que faz sedução da melodia brinde
No fascínio dos valsantes o talento

Sonia Nogueira *sogueira*

sexta-feira, maio 01, 2009

*VENTOS QUE ME LEVAM*


*Ventos que me Levam*

Para onde nem sei e para quando
Em qual direção as velas rumam
Deixo-me levar como folha girando
Juntos o coração e olhos clamam

Vou seguindo com roteiro, in-certo
Soltando leme navegando a ermo
No porto não estás, é só deserto
Na praia só há um fruto aspermo

O vento passa soprando a pele
No frio não encontro teu calor
A mão não toca dispensa a tele

Da paisagem descrita na gravura
Nada encontro e olho o sol se por
Duas paixões dispersas nas alturas
Sonia Nogueira

quinta-feira, abril 23, 2009

*AO SOM DO PIANO*


*Ao Som do Piano*

Pronunciei teu nome sob o silêncio
O teclado deslizou com euforia
Em cada tecla a canção em extasia
Soava como um lampejo milênio

Os acordes balavam sob o olhar
Da emoção que esposava o som
Numa dualidade das mãos em dom
Na partitura que a leitura faz vibrar

Declinei-me na janela mirei o luar
Que deslumbrava com a melodia
Enviando um olhar de alforria
Para a canção de canto secular

O teclado balbuciou teu nome
O sol oculto piscou o sobrenome

Sonia Nogueira *sogueira*

segunda-feira, abril 20, 2009

*Encante-me*

Com o mesmo brilho das palavras
Que flutuam como folhas vendaval
Na descontração que me embalas
Na fluidez da criação sem igual

Encante-me em qualquer primavera
Com ou sem flores postas à janela
Mesmo que falte sob a atmosfera
E o sol obscureça a aquarela

Na pequenez de todas as horas
Ou na distância em anonimato
No diálogo das frases outrora

Veste-me do teu céu com luares
Que seja na manhã de encanto
Ou no entardecer em teus pomares

Sogueira

No entardecer de abril, em pleno outono,
Em multicores sendas, quente e frio,
Depois do prolongado e duro estio,
Nas glebas da tristeza em abandono...

Do sonho mais profícuo, imenso sono,
O coração se eleva do vazio
E enquanto a solução eu penso e crio
As vestes que sufocam; abandono...

E creio que talvez reste uma chance
De ter além do quando a vista alcance
Pomares encharcados desta fruta

Que tanto imaginei, delícia e sumo,
Após o temporal, teimoso, aprumo
E o velho timoneiro ainda luta...

Marcos Loures
***
Sonia Nogueira

quarta-feira, abril 01, 2009

*AO MIRAR-TE*

*Ao Mirar-te*

Vejo a mão do escultor sobre a tela
Projetada com esmero e requinte
Numa amplidão mágica revela
Todo poder ao olhar de um pedinte

Para que tenha o mesmo direito
De usufruir da festança um naco
Mesmo como passageiro com preito
Pousar distante com olhar opaco

Tudo encontro no desenho da arte
Terra imensa sem alguma valia
Tesouros acumulados em baluarte
Mãos que trabalham outras em abolia

Tudo projetado em abundância
Luar poético ou vento em esplendor
A canção das aves em consonância
O gemido do trovão, do sol torpor

Está bem ali a tela suspensa no ar
Abastecida de amores e desamores
De sonhos que nunca vão brotar
De sucessos de domínio raptores

Tu terra amada fértil e grandiosa
Ao mirar-te em tua beleza suprema
Choro-te por tanta mancha nebulosa
E ocultas nela teu poder- dilema

Sonia Nogueira *sogueira*