sábado, maio 16, 2009

*RITMO E SEDUÇÃO*


*Ritmo e Sedução*

Ao som da melodia me dou inteira
Nos braços os laços que entrelaçam
Soa a música como som cordilheira
Numa frenética sonoridade esvoaçam

Sob o luar numa altitude serrana
Onde casais em extasiado canto
Flutuavam ao som do sanfoneiro
Uma valsa de melodia e pranto

Nada ofuscava os pares dispersos
Embalados na emoção do requinte
Como se o mundo fosse universo

Somente daquela noite e momento
Que faz sedução da melodia brinde
No fascínio dos valsantes o talento

Sonia Nogueira *sogueira*

sexta-feira, maio 01, 2009

*VENTOS QUE ME LEVAM*


*Ventos que me Levam*

Para onde nem sei e para quando
Em qual direção as velas rumam
Deixo-me levar como folha girando
Juntos o coração e olhos clamam

Vou seguindo com roteiro, in-certo
Soltando leme navegando a ermo
No porto não estás, é só deserto
Na praia só há um fruto aspermo

O vento passa soprando a pele
No frio não encontro teu calor
A mão não toca dispensa a tele

Da paisagem descrita na gravura
Nada encontro e olho o sol se por
Duas paixões dispersas nas alturas
Sonia Nogueira

quinta-feira, abril 23, 2009

*AO SOM DO PIANO*


*Ao Som do Piano*

Pronunciei teu nome sob o silêncio
O teclado deslizou com euforia
Em cada tecla a canção em extasia
Soava como um lampejo milênio

Os acordes balavam sob o olhar
Da emoção que esposava o som
Numa dualidade das mãos em dom
Na partitura que a leitura faz vibrar

Declinei-me na janela mirei o luar
Que deslumbrava com a melodia
Enviando um olhar de alforria
Para a canção de canto secular

O teclado balbuciou teu nome
O sol oculto piscou o sobrenome

Sonia Nogueira *sogueira*

segunda-feira, abril 20, 2009

*Encante-me*

Com o mesmo brilho das palavras
Que flutuam como folhas vendaval
Na descontração que me embalas
Na fluidez da criação sem igual

Encante-me em qualquer primavera
Com ou sem flores postas à janela
Mesmo que falte sob a atmosfera
E o sol obscureça a aquarela

Na pequenez de todas as horas
Ou na distância em anonimato
No diálogo das frases outrora

Veste-me do teu céu com luares
Que seja na manhã de encanto
Ou no entardecer em teus pomares

Sogueira

No entardecer de abril, em pleno outono,
Em multicores sendas, quente e frio,
Depois do prolongado e duro estio,
Nas glebas da tristeza em abandono...

Do sonho mais profícuo, imenso sono,
O coração se eleva do vazio
E enquanto a solução eu penso e crio
As vestes que sufocam; abandono...

E creio que talvez reste uma chance
De ter além do quando a vista alcance
Pomares encharcados desta fruta

Que tanto imaginei, delícia e sumo,
Após o temporal, teimoso, aprumo
E o velho timoneiro ainda luta...

Marcos Loures
***
Sonia Nogueira

quarta-feira, abril 01, 2009

*AO MIRAR-TE*

*Ao Mirar-te*

Vejo a mão do escultor sobre a tela
Projetada com esmero e requinte
Numa amplidão mágica revela
Todo poder ao olhar de um pedinte

Para que tenha o mesmo direito
De usufruir da festança um naco
Mesmo como passageiro com preito
Pousar distante com olhar opaco

Tudo encontro no desenho da arte
Terra imensa sem alguma valia
Tesouros acumulados em baluarte
Mãos que trabalham outras em abolia

Tudo projetado em abundância
Luar poético ou vento em esplendor
A canção das aves em consonância
O gemido do trovão, do sol torpor

Está bem ali a tela suspensa no ar
Abastecida de amores e desamores
De sonhos que nunca vão brotar
De sucessos de domínio raptores

Tu terra amada fértil e grandiosa
Ao mirar-te em tua beleza suprema
Choro-te por tanta mancha nebulosa
E ocultas nela teu poder- dilema

Sonia Nogueira *sogueira*

quarta-feira, março 04, 2009

*TATUAGEM*

*Tatuagem*

Tatuei-me com os pingos da chuva
Umedeci o coração que vigiava
A passagem no caminho da curva
Pra levar a mensagem que bradava

Sobre montes, percorri na distância
Nos ares o eco segue em surdina
No calor que a palavra é constância
Nunca embarga a emoção canina

Preserva até o ritmo da cavalgada
Mesmo que na margem haja afluentes
O barco segue a rota destinada

Ancora no porto do teu cantar
Pro meu coração probo auscultar
Na sutileza dos sonhos apetentes

Sonia Nogueira *sogueira*

Não sendo tão somente uma miragem
Que torna este deserto mais ameno,
O sonho que deveras concateno
Transforma com vigor esta paisagem.

Mudando de repente a velha aragem,
Eu sinto este desejo, agora pleno,
Tocando a minha pele este sereno,
Movendo com paixão tal engrenagem.

Lavando enfim minha alma desairosa,
Por mais que a vida seja caprichosa
Tu trazes as respostas que procuro,

Em tuas mãos, querida timoneira,
Encontra ancoradouro esta praieira
Teus olhos um farol em mar escuro...

Marcos Loures

*Sogueira*
-Eu Poesia Contos e Crônicas
- No Reino de Sininho
-Livro Técnico

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

*PORTAS ABERTAS*

*Portas Abertas*
***
Todas as portas estão abertas
Onde encontrar o portal da saída
Demolir os muros das descobertas
Distinguir no degrau o olhar da subida

Rasgar das máscaras falsos critérios
Mostrar a face, baixar o véu negro
De um passado abonar os mistérios
Riscar do caderno o chavão egro

Limpar as tradições da história real
Trocar o sacrário pelo profano
Ocultar o Deus dos desenganos

Na ilha da fantasia quase irreal
Como colocar o guizo no felino
Quando todos estamos no varal
***
Sonia Nogueira *sogueira*

***
-Eu Poesia Contos e Crônicas
-No Reino de Sininho, infantil
-Livro Técnico