domingo, novembro 11, 2007

*VALIDADE DOS SONHOS*

**Validade dos Sonhos**
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Vasculhai as gavetas dos sonhos
Muitos as traças roeram sem dó
Outros a validade foi mais breve
Dois permaneceram intactos sem pó

Há sonhos sem valência vigente
Impossível até sua execução
Outros o destino os destrói
Arrebata das mãos sem perdão

Há sonhos tão inconstantes
Que muda a mais simples palavra
São como viajantes andarilhos
A cada pouso outro sonho trava

Meus dois sonhos invioláveis
O mundo os pôs fora de moda
Se as janelas forem abertas
Escondem-se cabisbaixo, poda.
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Sogueira

**MINHA ILHA**

**Minha Ilha**
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Meu coração é uma ilha imensa
Cercada de amor por todos os lados
Em extensão menor que o mar
Maior no sonho voando alado

Não deixo a solidão me afogar
Nem alagar meu interior sossegado
As águas que me inundam
Só das lágrimas das saudades

Nesta ilha onde habito recuada
Os barcos que ancoram são remados
Das mais caras amizades desejadas
Que me levam uma rosa perfumada

Neste terreno menos extenso aqui
Reside um amor profundo e imenso
Que o mar em toda sua extensão
Seria lagoa sem banho intenso

Para entrar na minha ilha encantada
Tesouro de rara beleza herdado
Só com senha de segurança
Só um coração com amor despojado
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Sogueira

*RAINHA SEM COROA*

**Rainha sem Coroa**
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Dois olhinhos abismados
Vendo a rainha Sofia no trono
Tinha uma TV descolorada
O telão da vizinha era um sonho
Era tanto luxo e poder
Que a mente da pobre coitada
Imaginou-se princesa
Sonhado na rede acordada

Salve rainha mãe de misericórdia
Sou princesa das calçadas
Nas mãos como anel uma lata
Na cabaça o cabelo desalinhado
As vestes sujas rasgadas
Sem sorriso vagando do nada
Rogai por mim minha santa
Nada posso, caminho sem estrada.
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Sogueira

*AMOR DE POETA*

**Amor de Poeta**
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Ama escreve sentimentos idealismo
Viaja aonde o pensamento alcançar
Vai muito além do infinito até no abismo
Se o coração permitir sem esgotar

Viaja aonde o pensamento alcançar
A mensagem guardada em segredo
Se o coração permitir sem esgotar
Palavra antes relegada em degredo

A mensagem guardada em segredo
Postada sem reserva abre a janela
Palavra antes relegada em degredo
Ganha alforria ajoelha-se na capela

Postada sem reserva abre a janela
Em versos agora já lapidados
Ganha alforria ajoelha-se na capela
Faz uma prece ao amor antes negado

Em versos agora já lapidados
Exalta sem segredo todo lirismo
Ganha alforria ajoelha-se na capela
Ama escreve sentimentos idealismo
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Sogueira (Pantum)

sábado, outubro 06, 2007

*GUARDEI-ME PARA TI*


**Guardei-me Para Ti**
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Guardei-me para ti por inteira
Em sonhos devaneios e desejos
Sem temer desafios nem destino
As raízes já cresciam tempos ledos

O corpo já o tocava em sonhos
Na pele o toque suave do cheiro
No peito a cabeça repousava leve
O mundo era só meu todo inteiro

Não vias a grandeza do olhar
O afeto em cada poro escorregando
O coração abrindo como um leque
Esperando o calor que aquece amando

Perdi-te na estrada mal percorrida
Perdeste mais ainda a mim disseste
Soterrei cada partícula do pensamento
O amor este voou em campo aberto
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Sogueira

*A NUDEZ DA ALMA*


**A Nudez da Alma**
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Abro as janelas para este dia iluminado
A alma sorrir e entrega-se sem desvio
Mostra que o caminho tem direção certa
Quando acende o sol nos dias sombrios

Abriga a palavra do perdão contido
Faz desta palavra seu escudo e poder
Na humildade recolhe a sabedoria
Enterra sem retorno a dor que faz sofrer

Tantos os fantasmas que a mente cria
Empobrece a vida missão Divina
Passagem rápida espaço limitado
Reduz-se ao nada o mesmo destino

Os cacos trituro-os ao pó entrego a terra
“Se a emenda é pior do que o conserto”
Lavo cada seqüela com a força da coragem
O coração sorrir o corpo revive de certo
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Sogueira

*ALIMENTO SAGRADO DO POETA*


*Alimento Sagrado do Poeta*
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Está na fachada na entrada na palavra
Na estampa dos versos no bordado
Das palavras, quem as entende fala
Decifrá-las quem há neste recado

Sacramento do coração sete chaves
Ao olhar um objeto, cenário, paisagem
O pensamento dialoga resposta viva
Outro olhar nova mensagem outra miragem

A palavra viva alimento do poeta
É sacrário inviolável sem critérios
Criticar erros sem saber dos mistérios
Da mensagem criada seu remédio!

É violar todo seu potencial descoberto
“o home pranta e coe o suó da terra”
Qual o mestre da gramática pra discordar
Da palavra humilde excluída nesta selva?
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Sogueira